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terça-feira, 3 de junho de 2014

Araçatuba e sua Fundação (Parte I)

Desde há décadas é cultivado o conceito de "fundador" de Araçatuba Fundador de uma cidade é a pessoa que tem, ou por premeditação, ou por circunstâncias fortuitas, a decisão de ir a um determinado lugar e ali criar um lugarejo que se expandirá depois, em uma cidade. É o que se chama em latim de "animus faciendi". isto é, vontade de fazer a cidade.


Isto não ocorreu em Araçatuba; aliás, com nenhuma cidade da região, à exceção de Ilha Solteira, fundada pela CESP - Centrais Elétricas de São Paulo para pouso e existência dos trabalhadores no complexo hidroelétrico de Jupiá-Paraná. Por aqui, os núcleos habitacionais nasciam em função do avanço da NOB, a estrada de ferro de Bauru a Itapura e, invertidamente, do Mato Grosso a Itapura.

Assim ocorreu em Araçatuba, nascida com um vagão-residência que ficou estacionado em uma pequena variante da Iinha-tronco. Em depoimento de um funcionário da N.O.B., Antenor Vasconcelos Barros, dirigido ao historiador Orentino Martins e assinado por Antenor, lemos o seguinte: No mesmo ano de 1.908 chegou à Estação da Noroeste um vagão que ficou estacionado e do lado do mesmo foi construído um quiosque, por um italiano chamado Fontana. E logo em seguida, o Dr. Joaquim Machado de Mello, empreiteiro da construção da Noroeste, mandou que se edificasse um pequeno hotel que ficou denominado "Hotel Noroeste", sendo arrendado ao Dr. Francisco Pecoraro e sua esposa D. Francisca.

Com estas atividades habitacionais do que seria a nossa cidade, já nos encontramos historicamente em 1.909 com o pequeníssimo núcleo de pessoas residentes no futuro patrimônio de Araçatuba.

Iniciadores deve ser o nome histórico dessas pessoas citadas por Antenor Vasconcelos Barros que estavam no lugar e no momento histórico e aconteceram de realizar o começo de Araçatuba; é evidente que fizeram-no sem terem planejado para tanto.

O depoimento de Antenor Barros, com sua assinatura, foi cedido por Orentino Martins para a coleção de documentos históricos que Odette Costa Bodstein (co-autora deste livro) colecionou durante toda sua vida e cujo acervo constitui o elemento material do substrato desta obra. É o depoimento de pessoa que estava presente a alguns acontecimentos do início histórico de Araçatuba. Dele nos valeremos muito neste capitulo.

No Livro de Orentino Martins (MARTINS, 1.988: 161), há uma fotografia de Penápolis de 1 915: no primeiro plano, há uma boa extensão de capim plantado, no meio da foto, há uma faixa de casas de alvenaria, onde se contam aproximadamente 46 residências, pelas dificuldades de se enumerar devido á distância das imagens e ao aglomerado das residências; ao fundo da foto, há outra faixa pequeníssima de plantações, provavelmente capim, mato cerrado e algumas árvores; da metade da foto até seu limite superior, é o céu com algumas nuvens.

No depoimento de Antenor Barros, lemos "...em 1.908, quando entrei neste sertão da Noroeste, de Bauru para cá só havia a povoação de Jacutinga, Presidente Alves com meia dúzia de casas. se tanto e Penápolis com umas 30 casas, tendo como principal figura dessa localidade o Cel. Manoel Bento da Cruz".

Comparando a foto de 1.915 de Penápolis com a afirmação de Barros sobre 1.908, temos que em Penápolis havia umas 30 casas em 1.908 a um limite de 60 em 1.915 Calculando os residentes penapolenses nessas duas datas por uma estimativa de um máximo de 10 pessoas por residência, teremos, em 1.908, um máximo de 300 habitantes; e, em 1.915, o dobro disso: 600 habitantes.

Por comparação e lembrando que Penápolis, nos primórdios desta região, sempre foi a cidade mais avançada em tudo, inclusive em população: era o centro da região (só a partir de meados de 1.930, Araçatuba inicia sua posição histórica de líder municipalista regional), podemos fazer uma idéia da população araçatubense em 1.909 e 1.910. Deveríamos ter nesses dois anos 150 habitantes.

O assentamento de pessoas e reduzidas famílias por aqui, nesse tempo, tinha a ver grandemente com as atividades de duas personalidades que não habitavam Araçatuba então. Um deles era o grande proprietário de terras Dr. Augusto Elisio de Castro Fonseca; o outro era o coronel Manuel Bento da Cruz. Além destes, o terceiro grande nome que alavancou o crescimento habitacional de Araçatuba em seus inícios foi o de Vicente Franco Ribeiro, que já vivia em Araçatuba nesses anos.

Para se entender o valor desses três iniciadores de nossa cidade, é importante atentar para alguns conceitos e para uma visão genérica de Araçatuba naquele tempo.


Um conceito que durou muito tempo e que teve grande importância é o de data e o outro é de patrimônio. Data era o nome de terreno, pequena extensão de terra em que é dividido o lugar para que cada pessoa possa ter sua propriedade legal e onde são construídas suas casas e lojas. Patrimônio era uma pequena povoação no interior do Brasil, era o que hoje se chama de lugarejo, vila, isto é, o nome do lugar antes de ele conseguir ser cidade, município.

(BODSTEIN, Odete Costa; PINHEIRO, Célio."Histórias de Araçatuba", 1997; p50-53)

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