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Crônicas e Contos sobre Araçatuba

Esta pagina destina-se a receber contos e crônicas sobre a história de Araçatuba, caso você escreva dentro do tema envie-nos para marechalrondon1964@gmail.com com o assunto contos e crônicas, e seu trabalho poderá ser postado no blog.


“O Patrimônio de Araçatuba”



Dependíamos de Penápolis, sob cuja jurisdição se achava o núcleo da futura Araçatuba nos idos de 1908. Era apenas um rústico e precário barraco de madeira, suficiente para abrigar um pequeno grupo de operários da gloriosa EFNOB (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil). O projeto era cruzar o País a desbravar, depois de celebrado (??) um insólito acordo com alguns índios amigáveis, que aderiram aos forasteiros na luta contra os ferozes caingangues, cheios de óbvia razão para batalhar. Venceu a tecnologia branca, os índios “rebeldes” foram dizimados e suas terras ocupadas para rasgar na mata a estrada de ferro, em nome do tal progresso.
Por ordem da empresa ferroviária, uma área foi desmatada em 1912, no local onde hoje se acha o perímetro da praça Rui Barbosa, que foi considerado plano e bastante razoável para abrigar a primeira estação da linha do trem. Procedeu se à tradicional “roçada” que devastou – e mal – cerca de 50.000 metros quadrados, que seriam divididos em datas – lotes, se preferirem -, nos quais os empregados da companhia iriam construir suas casas, ou melhor – pior? – barracos.
Ninguém se interessou pelo projeto inicial, que se perdeu, e a empresa ferroviária finalmente destacou um técnico para realizar novo levantamento e elaboração de traçado de assentamento da estação, datas e ruas, o que ocorreu apenas em1914, com a chegada do engenheiro agrimensor Adolpho Hecht  no local, depois de um incêndio ter devastado a malcuidada área roçada, revelando que o descaso no Brasil é histórico e sistemático.

Pesquisei no Museu Araçá e encontrei algumas informações que passo ao meu curioso leitor: a primeira derrubada da vegetação araçatubense e elaboração da primeira planta de assentamento humano foi feita sob a administração de Vicente Franco, a mando da EFNOB, conforme relato manuscrito de Antenor Vasconcelos Barros. A planta com o traçado e levantamento altimétrico feito por Hecht esta arquivada no Museu (ver ilustração). O quadrado menor era – e é – a praça Rui Barbosa, enquanto o outro desenho cinza era – e é – a estação ferroviária e a tal “avenida” é a hoje rua 15 de Novembro, era um projeto urbano, ordenado e voltado para o futuro. Mas o que o futuro fez com a cidade é outra estória...

Jeremias Alves Pereira Filho é sócio de Jeremias
Alves Pereira Filho Advogados Associados, especialista
em Direito Empresarial e professor de
Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Araçatubense nato.


 “E surgiu o Nova Iorque”

O povo da cidade ainda não tinha ouvido falar na palavra "marketing" e nem imaginava que em Araçatuba pudesse existir um só "marqueteiro". Mas tinham vários e dos mais criativos. Um deles percebeu que a cidade crescia acelerado nos anos 1950 e tratou de expandir seus já muito bons negócios imobiliários comprando vastas áreas de terrenos em lugares distantes do centro, onde tudo acontecia: o comércio, a administração, a sociedade, o lazer, a gastronomia e os negócios de toda espécie e os sem nenhuma espécie. Era bastante arriscado alguém se aventurar fora daquele pequeno eixo central. Mas o empresário era arrojado o bastante - e tinha dinheiro idem - para, no final daqueles anos, investir numa região que era apenas um local de passagem, uma enorme área de terras situada entre a rodovia Marechal Rondon e a rua Governador Pedro de Toledo, que era uma espécie de fronteira da cidade, pois abaixo desse limite só existiam algumas ruas sem asfalto, poucas casas e chácaras. Asfalto mesmo só até ali e na avenida Luiz Pereira Barreto, que ligava a praça Rui Barbosa àquela rodovia, passando pela baixada do Machadinho, onde havia uma represa d'água. E não é que o visionário empreendedor criou um bairro, que chamou de Jardim Nova Iorque (assim mesmo!), e, inspirado no criativo presidente Juscelino Kubitschek, abriu a não por acaso chamada avenida Brasília, com inéditas duas pistas em cada mão de direção, separadas por um canteiro central, com postes de iluminação dupla e fiação enterrada, e que dividia em duas partes o grande terreno, no qual projetou ruas, quadras, lotes e praças. Era um novo e moderno bairro planejado fora do perímetro central da cidade, absolutamente precursor não só na cidade como na região, que não possuía nada similar. Tinha, porém, a difícil tarefa de despertar na então conservadora população da cidade o interesse em conhecer o novo bairro, com o objetivo de incrementar a comercialização dos lotes. Então mandou instalar uma enorme tela branca no ponto mais elevado, na qual, no escurecer das peculiares e calorentas noites araçatubenses, projetava filmes ao ar livre franqueados a todos e sem qualquer custo. E mais, levou lá para cima um comerciante português para explorar uma churrascaria simplória, instalada num rústico galpão com mesas e cadeiras voltadas para a avenida, que servia cupim casqueirado e mandioca cozida para os adultos e, para a garotada, sensacionais vacas-pretas feitas de sorvete Kibon de chocolate batido no liquidificador com Coca-Cola, ou vacas-amarelas com sorvete de creme e Crush. De quebra, a meninada sorvia geladíssimas garrafinhas de Grapette, pois "quem bebe grapette, repete"!

Jeremias Alves Pereira Filho é sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados, especialista em Direito Empresarial e professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato


“Professores do IE”




Joaquim Dibo, fundador do Gymnásio Municipal, educador e primeiro diretor do IE; maestro José Raab, músico erudito, professor do IE (música, solfejo e coral) e particular de piano e violino, além de bom sujeito; Ariostina Pinheiro, emérita professora de português, literatura, drama e poesia (era poetisa), exigente e exemplar educadora; Maria Alencar e Adelino Moreira Marques, casal simpático e atencioso; tendo sido ele advogado, prefeito e deputado estadual – na época em que isso era qualificante  e pais da Patrícia e da Sandra; Areobaldo de Oliveira Lima, advogado e professor, culto, simples e gente boa; Ruth Andrade, originalíssima professora de inglês, dona de um método peculiar (quem não se lembra de "o boi está berrando de dor" = "the boy is behind the door"??), enrolava o giz num pedaço de papel na ponta para não sujar os dedos; Flordelyz Trivellato, professora de francês, simpática, mãezona e, de quebra, ensinava todos seus alunos a cantar a Marseillaise; Jorge e Magali Correa, ela pequenina e graciosa, afora competentíssima professora de francês; Maria José (Zezé) Bedran, advogada de personalidade e discurso fortes, e, ainda, acadêmica da AAL; "dona" Lourdes, linda e meiga professora da 4ª série do curso primário, por quem todos os meninos eram apaixonados; Nair Filardi, compenetrada e elegante, sempre com os cabelos bem laqueados, o que observava toda vez que a via caminhando pela "nossa" rua Tabajaras em direção ao IE, mãe da Ana Maria e do Pedrinho e avó da Flavinha; Daniel Ferraz, organizador esportivo e responsável pelas aulas de atletismo na pista do Estádio Municipal, cedida ao IE, bem como pela montagem, organização e apresentação da famosa Fanfarra; Edwiges, professora de ginástica
tanto para meninas como para meninos, era enérgica e disciplinadora, exigia o tênis Conga sempre impecável de "nuget" branco para o início de suas aulas, o que conferia com um rigor de caserna; Sarah Barbosa, professora de geografia, simpática e sorridente, fazia com que latitudes, longitudes e pontos cardeais parecessem fáceis de usar e, então, tudo ficava perto de Araçatuba; Paulo, gordinho e simpático, usava óculos de aros pretos, ensinava latim no curso clássico, cuja "língua morta" falava fluentemente com "Júlio César", fazia a chamada dos alunos pelos seus números latinos (uno, duor, tres, quatuor, quinque, etc.); Abranche José, sempre de avental branco e de óculos de aros pretos e grossos, um químico brilhante, quase um professor Pardal, e sua mulher, Célia Gomes José, que fazia sua temida chamada oral "sorteando" os números dos alunos tirados de um saquinho de pano; Luiz Ortiz, cronista e professor, competente didata que emprestou seu nome para uma escola no bairro São Joaquim, em merecida homenagem póstuma, suas crônicas eram lidas na Rádio Cultura pelo Belô e o Hélio Negri; Oscar Ferreira Baptista, professor e político, também no tempo em que essa atividade era respeitável, e, ainda, parente do Asdrúbal Ferreira, o "Canguru", campeão brasileiro de salto à distância, que era seu aluno; Arthur Evangelista de Souza, diretor e um verdadeiro guardião do IE, uma fera no geral e um doce no particular, especialmente quando açucarado pelas filhas Gláucia, Analu e Bea...

Jeremias Alves Pereira Filho é sócio de Jeremias
Alves Pereira Filho Advogados Associados, especialista
em Direito Empresarial e professor de
Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Araçatubense nato.





“Professores do IE”



Áurea Pires do Rio Penteado, simpática e elegante, fazia política de qualidade na época em que nenhuma mulher fazia, diretora do IE e da Secretaria de Cultura Estadual na gestão do dr. Josué Rios, então secretário, e, de quebra, mãe do Quico Penteado, meu amiguinho de infância; Areobaldo de Oliveira Lima 2 (médico); Sylvio e Germínia Venturolli, casal habilidoso tanto na área educativa como na política, tendo ambos sido eleitos para a prefeitura de Araçatuba; José Romano, queridíssimo entre seus alunos das aulas de História, tratava a todos como amigos da mesma idade, também se destacou na política como Secretário da Cultura na gestão do Sylvio Venturolli; "seo" Elizeário de Paula e Silva, o "Zicão", enorme e fortíssimo, se orgulhava do passado remoto quando foi caminhoneiro, tinha peculiar método de ensino, exigia dos seus alunos um "caderno de matemática" e participação obrigatória no seu famoso "concurso de matemática", sempre no final das aulas, cujos alunos vencedores que se mantivessem mais tempo na primeira posição das suas fileiras recebiam, como prêmio, pontos adicionais nas notas do fim do mês, e, além disso, era pai do Giba; Fernandão Rosa, um competente e simpático professor de português, amigão dos seus alunos, dentre os quais alguns irmãos; Sérgio Caputti, professor de português e boa praça, como advogado transformava suas aulas expositivas num exuberante arrazoado de júri; Cidinha Baracat, foi aluna e professora dinâmica, tanto que criou seu próprio centro de estudos, certamente inspirado na sementeira do IE; Laura Cintra, pequenina, de olhos espertos, professora de desenho geométrico, exigia dos alunos trabalhos manuais feitos num caderno especial que só era encontrado na Livraria dos Amigos, e mãe do Celinho, meu então amiguinho gordinho da rua Martins Fontes, mais o João Antonio e Ana Laura; Antonio Arnot Crespo, matemático brilhante, autor de inúmeros livros didáticos sobre o tema e membro da AAL (Academia Araçatubense de Letras); Maria do Carmo
Lellis, professora e diretora do anexo do IE; Floriano Camargo de Arruda Brasil, bom sujeito em
todas as áreas de atuação, como professor, advogado e político; Helena Guerreiro, inglês, português e dissertação, tinha uma pinta dentro do olho; Fernando (Fernandão) Amaral de Almeida Prado, professor de matemática avançada quando ainda não existia computador e sequer calculadora elétrica; Almir Jorge Bodstein, bondoso e quase um santo, marido da colunista social da Tribuna da Noroeste, a versátil Odette Costa Bodstein; Osmar e Arlete Bonvicino, ele professor de matemática
e estatística e ela professora de História; Humberto Lubus, latinista e professor de português; Zélio Paques Terra, professor de matemática; Maria Luzia Martins Villela, socióloga e pedagoga, ensinou geografia; Wilma Gottardi, aulas de ciências físicas e biológicas; Lauresto Rufino, refinado professor de português, usava terno e colarinho fechado, pai da Eloá, nossa campeã de basquete;
professores Levi; Guiomar; Leila Daya; Lina; Moacir Negri; Yayá; Hermínio Zonta; Geraldo
José Olivieri; Ivete Garcia; Joaquim de Paula; Pedro Dolce; Raul Silva; Sérgio Alves Pinto;
Nanci e seu marido Aristeu, professor de educação física; Kazuo; Letícia (Momó); Dirce e muitos
mais, cujos nomes eventualmente não foram citados apenas por falha do escriba, porém jamais esquecidos por seus alunos. Sim! E tinha também a d. Leonor de Oliveira Alves, educadora
exigente e disciplinadora extremada dos indisciplinados meninos da 2ª série do curso primário. Minha professora e minha mãe!


Jeremias Alves Pereira Filho é sócio de Jeremias
Alves Pereira Filho Advogados Associados, especialista
em Direito Empresarial e professor de
Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie


Um comentário:

  1. Muitos destes já foram meus professores bons professores, tenho todos eles na minha memória......será que se lembram de mim?...quem sabe...

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